segunda-feira, 17 de novembro de 2008

SCRIPT de Irma e Cesar

CENA 20. QUARTO DE HOTEL DE IRMA. int. dia

IRMA FALANDO NO TELEFONE COM ARI. ALGUÉM ESTÁ AO FUNDO. MAS NÃO VEMOS AINDA SEU ROSTO. DÁ PARA PERCEBER QUE É UM HOMEM ELEGANTE PELO TERNO BEM CORTADO, PELO RELÓGIO, PELA PULSEIRA, POR UMA ALIANÇA DE NOIVADO E PELA FORMA COM QUE ELE PEGA A TAÇA DE CHAMPANHE.

IRMA — Estou chocada com essa história de irmã gêmea. Se pelo menos ela também fosse boazinha como a Maria.

OBS.CENA CONTINUA ABAIXO.

INTERCALAR DIÁLOGOS COM

CENA 21. MANSÃO. int. dia

CONT. IMEDIATA DA CENA 14. ARI FALA AO TEL, À PARTE, SEM SER OUVIDO POR DANILO E SAMIRA, QUE ESTÃO ENSAIANDO COREOGRAFIAS, QUE TONI ACOMPANHA SORRIDENTE.

ARISTÓTELES — Mas não é. Ela é a maldade em pessoa.

IRMA — Como pode? Mesmo assim fale com ela. Diga que preciso de um milhão de reais, ou então o músico da Bielorrússia vai me matar.

ARISTÓTELES — Mas como você cai numa roubada dessas? Como você se envolve com um tipo ordinário e violento, um bandido?

SÓ ENTÃO VEMOS QUEM É O HOMEM QUE ESTÁ ALI COM IRMA. CAM. SE MOVIMENTA ATÉ MOSTRAR UM ELEGANTE CLOSE DO DOUTOR CÉSAR, QUE SORRI. SONOPLASTIA: SUBLINHA.

IRMA — Tenha pena de mim, Ari. Tô péssima, seqüestrada, amarrada, num barraco imundo, só me deixaram ligar pra pedir o dinheiro.

ARISTÓTELES — Um milhão de reais?

IRMA — Um milhão de reais. Agora vou ter que desligar, mas depois volto a fazer contato.

IRMA DESLIGA O TELEFONE. TOMA UM BELO GOLE DE CHAMPANHE E FALA COM CÉSAR.

IRMA Por essa eu não esperava. Quem está na mansão não é a boazinha da Maria. É uma irmã gêmea! Uma tal de Samira, que eu nuca ouvi falar. Que história é essa? Será que é mais um golpe da Doutora Júlia?

CÉSAR — Samira! Quer dizer que a Júlia realizou o plano dela. Libertou a irmã gêmea da Maria, que vivia presa no laboratório, e colocou para ocupar o lugar como herdeira universal da Progênese e de todos os bens do doutor Sócrates Mayer! A Júlia sempre me surpreende com sua mente perversa.

IRMA — César! Quer dizer que você já sabia da existência dessa irmã gêmea?

CÉSAR — Claro que sabia, Irma, minha bela. Sempre soube. Esqueceu que fui o mais fiel colaborador daquela louca extraterrestre sem escrúpulos?

IRMA — E por que você nunca me contou? Por que você nunca me contou um babado desses?

CÉSAR — Sei lá! São muitos babados, Irma. E nunca pensei que Júlia fosse libertar a moça, porque ela sempre foi muito rebelde. Samira foi criada a vida inteira presa no laboratório. Não entendo como ela pode estar no lugar da irmã, sem ninguém desconfiar. A não ser que... Humm... Talvez...

IRMA — Talvez? O que você ia me dizer e parou, Cezinha? Agora quero saber de tudo. Não me esconda nada.

CÉSAR — Talvez a Samira esteja usando um implante no cérebro. Um chip. Como aquele que a Júlia queria implantar no meu cérebro.

IRMA — Você já me contou essa história dezenas de vezes, mas quando chega nessa parte do chip, eu sempre me perco.

CÉSAR — Presta atenção, Irma. Quando fui atacado pelo dinossauro fiquei muito machucado. A Júlia me resgatou e usou sua tecnologia reptiliana para cuidar de mim no laboratório. Curou as feridas que os dentes daquele animal pré-histórico fizeram no meu corpo. Quando estava quase bom, ouvi uma conversa dela com um extraterrestre, falando sobre um chip que ela ia implantar no meu cérebro. Bruxa miserável! Eu já tinha conhecimento da existência desses chips e sabia o que podia acontecer com quem tiver um troço daqueles implantado no cérebro.

IRMA — E o que acontece com quem tem um chip como esse no cérebro?

CÉSAR — Depende do chip. Existe o chip da obediência, que obriga a pessoa a se tornar servil, obedecer todas as ordens da Júlia.

IRMA — É fantástico! Ex-tra-or-di-ná-rio! Adoraria ter uns chips desses pra colocar em algumas pessoas!

CÉSAR — Mas o pior, Irma, não é o chip da obediência. É o chip reptiliano.

IRMA — Chip reptiliano? Cruzes! Que babado forte é esse?

CÉSAR — Babado fortíssimo, Irma! O chip reptiliano faz que a pessoa deixe de ser quem é. Faz que a pessoa pense que é uma extraterrestre, com o objetivo de destruir a humanidade!

IRMA — Que horror. Isto parece uma história de filme de terror, Cesinha!

CÉSAR — É esse chip reptiliano que a Júlia queria colocar em mim, depois que me salvou do dinossauro. Eu ia deixar de ser quem eu sou, entende? Minhas memórias, minha vida, minha humanidade... ela queria jogar quem eu sou fora, para usar meu corpinho, para me transformar num escravo extraterrestre. Isso seria para mim o mesmo que a morte. Por isso, resolvi fugir.

IRMA — Fez muito bem, Cesinha, porque você voltou para mim.

CÉSAR — É pena que não conseguimos vender o violino Stradivarius.

CÉSAR ACARICIA O VIOLINO.

IRMA — O violino é falso. Quem diria?

CÉSAR — Como pode? O Stradivarius do Sócrates... jamais imaginei que fosse falso.

IRMA — Ou o violino verdadeiro foi roubado e substituído... ou o Sócrates foi enganado... coitado...

CÉSAR — O problema é que temos que arrumar dinheiro rápido... muito rápido... Nossas últimas reservas estão acabando. Eu não posso mais trabalhar como advogado, porque fui acusado de ser cúmplice da Júlia, nos crimes da Progênese.

IRMA — E você sabe demais, né, Cesinha? Você sabe todos os podres da doutora monstra.

CÉSAR — É verdade. Se eu der as caras, o mais provável é que eu seja abduzido pelos reptilianos.

IRMA — Temos que arrumar dinheiro. Este golpe do meu falso seqüestro tem que funcionar.

CORTA PARA

BLOG TIAGO SANTIAGO

RAFAELA SANTOS

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